Sou Kid Bradshawn… é sempre um prazer fazer novos amigos e este é meu Livro Virtual de divulgação do meu site. Você pode visitar o site em Sex and the Undercity.
Sou apaixonada pela minha cidade, Undercity e sou uma Death Knight, o que significa que já morri um dia e ressucitei… Não tenham pena de mim por isso. A morte faz maravilhas pela dieta de uma Elfa vaidosa.
Mas parando um pouco de falar de mim para em seguida começar a falar de mim novamente, ainda não me decidi se o Dia dos Namorados foi criado pelas corporações para aumentar a venda de frascos de perfume, armaduras mágicas e caixas de bombons, ou se foi idéia de algum doente sádico interessado exclusivamente em fazer com que meninas como eu se sintam totais incompetentes no que se refere a conseguir um namorado decente.
Particularmente hoje estou inclinada a acreditar que a segunda opção é que mais se enquadra com a realidade.

Outro dia passei pelos portais de Undercity e dei de cara com a decoração mais deprimente que se poderia imaginar… já que não tenho namorado. Afinal, parecia que só eu mesma não tinha “me arrumado” com alguém.
Corações para todos os lados, guirlandas, caixas de bombons, rosas, gente bonita em clima de paquera e tudo mais com que uma solteira involuntária odeia se deparar quando o Dia dos Namorados coincide com um Dia de TPM.
Eu não entendo, sou uma Bloody Elf bem arrumadinha, uma Death Knight bem simpática até e, por algum motivo, todos os encontros que tive no último mês não deram em nada. Sim… foi por isso que não escrevi desde meu último relato… Estava esperando ter outras péssimas experiências antes de escrever qualquer coisa.

Claro-claro, uma conhecida já me disse que não tenho uma atitude muito pouco positiva acerca de relacionamentos, que sou muito exigente e que, talvez por isso, as coisas não estejam dando muito certo para mim.
O fato é que, em nome de ser menos exigente, resolvi não me ater apenas aos pretendentes de Undercity. O resultado?
Fiz o que pude! Não fui nada exigente, recentemente. Aceitei todos os convites de encontro às escuras que pude e o que ganhei com isso? Três ainda moravam com a mãe, cinco não tinham um emprego decente, um era lindo mas era gay (e pelo meu sobrenome achou que eu era homem)… e, para fechar com chave de ouro, o último era um verdadeiro Ogro – embora tivesse ótimo gosto ao comprar chocolates.
Do outro lado da cidade, enquanto eu me via às voltas com “Schreck”, Kate, uma de minhas melhores amigas – que vivia se vangloriando de em vida ter sido uma conhecida modelo cerográfica em Azeroth – lidava ela mesma com um encontro e com seus próprios problemas.

Não há nada de errado com cerógrafos, exceto o fato de que a esmagadora maioria dos cerógrafos de Azeroth é Troll e por mais que uma garota goste de azul ela tem de saber seus limites… seus limites anatômicos, quero dizer.
Trolls, afinal, são conhecidos pelas suas proporções avantajadas e por mais que Kate não fosse de se assustar com muita coisa, por vezes muita coisa é coisa demais!

- Master Vornal foi um perfeito cavalheiro – se defendia ela comigo, em nosso restaurante favorito de noite – e ele tinha mesmo um enorme… um enorme cajado, se é que você me entende.
- Você é absolutamente incorrigível, Kate – dizia eu, corando com um punhado de vergonha e uma pitada de inveja – …bom… na situação que estou acho que mesmo um Troll faria sentido.
- Kid… não seja assim. É preciso dar tempo ao tempo, cuidar do seu jardim e todos esses clichês…
- Do jeito que a coisa está eu vou ter é de esperar sentada! – Retruquei.
- Nem me fale nisso. Eu mal consigo me recostar de banda nesta cadeira, amiga – ela se empertigou e pareceu tentar ignorar o próprio desconforto – será que sua amiga pode te ajudar?
Minha expressão devia mesmo ser de derrota. Kate colocou as mãos sobre as minhas e prometeu me arranjar um encontro para aquela mesma noite.
E eis que, em duas horas, depois de vestir um dos vestidos de que mais gosto, passar um perfuminho e de uma reza forte.
Segundo Kate eu não tinha o que temer, Wolfy era lindo, bem sucedido, Blood Elf, sem preconceitos com meninas que já bateram as botas e louco para encontrar alguém interessante para um relacionamento sério.
Nada mal… em teoria.
O encontro, contudo, se deu mais ou menos assim: Wolframhart era seu nome, o seu penteado demorava mais para ficar pronto que o meu, suas roupas eram um número menores do que deveriam e o infeliz era tão vaidoso que era praticamente uma moça!

Era advogado – o que não é boa referência em lugar nenhum – e embora fosse realmente bem sucedido, mostrou-se um belo canalha.
A viagem estava sendo longa demais, em sua carruagem, em meio a todo aquele vinho e um papinho até envolvente. Quando dei por mim estávamos em Elwynn Forest, região controlada por outra facção e perigosa até mesmo pra uma Death Knight experiente!
Entre um comentário sobre a noite nublada e a tentativa de me acalmar por estarmos em território inimigo uma de suas mãos me distraiu ao investir em direção aos meus seios enquanto um desajeitado beijo me invadia. Não tive dúvidas. Empurrei-o e deixei o moço falando mais fino com o que lhe restava entre as pernas protegido tardiamente pelas mãos trêmulas.
Não foi só. Chorando, achei que as coisas não podiam piorar e acabei me perdendo. Para me proteger da chuva que se avizinhava então, entrei em uma caverna… Dica: Se você é um Blood Elf perdida de madrugada em Elwynn Forest não entre em uma mina cheia de Kobolds.
Eu imaginava onde Kate estava com a cabeça quando resolveu me expor àquele pulha quando fui cercada por um grupo enfurecido de mineiros Kobolds, criaturas absolutamente nojentas que babam todo lugar por onde passam e cheiram a cachorros molhados.

Não estava preparada para a ocasião. Nada de armas, nada de armaduras. Naquele momento me senti nua e me senti apenas uma menininha perdida.
Me cercaram, começaram a rosnar, a atacar e eu entrei em pânico em meu vestidinho de festa e com lágrimas nos olhos.
E foi então que ele apareceu…

Deve ter me visto a distância, em território humano, e acreditou que eu fosse apenas mais uma donzela em apuros.
Sua entrada foi triunfal, ele investiu avidamente contra aquelas criaturas nojentas, um gigante loiro, seus músculos explodindo por debaixo das vestes que rasgavam a cada golpe das ferramentas dos mineiros, deixando suas veias a mostra. Em seus braços pulsava o sangue daquele que eu devia odiar mas que era o único naquele momento que tentava me salvar.
E em poucos golpes a horda de Kobolds deram uma surra épica no meu intrépido e ingênuo herói, até que ele não teve opção senão desmaiar entre pauladas, picaretadas e pontapés.

Lembrei-me subitamente de quem eu era e calcinei o solo sob os pés das criaturas, fazendo-os perecer e fui para o corpo inerte, mas ainda com vida, daquele Paladino barbado majestoso… mas coberto de hematomas.
Não tive pena dos cães que caíam como moscas ao nosso redor, apenas preocupada com o único humano para o qual olhara com desejo em toda minha vida.
Se ele despertasse e percebesse que eu não era apenas uma loura da sua espécie, mas uma Blood Elf, uma das criaturas que ele aprendeu a odiar desde muito cedo, provavelmente correria… ou então, em seu heroísmo equivocado tentaria vencer-me em combate.
- Homens! – disse eu de mim para mim, enquanto carregava o objeto da minha paixão arrebatadora.
“Uma garota tem de aprender a escolher, amiga!”, é o que diria Kate quando eu lhe contasse que me apaixonara pelo inimigo…
…Tudo graças a um advogado que não sabia fazer direito.
Deixei o pobre herói às portas de um vilarejo inimigo e dei meu jeito para voltar para casa.
Undercity continuava com aquela decoração de mau gosto e eu continuava sem namorado, embora meu coração não estivesse mais vazio.
Fiz o que toda garota deveria fazer depois de ter um dia péssimo ornado por um final interessante: Mudei o penteado!

Quanto a minha paixão a primeira vista?… Eu volto ao assunto em outra ocasião =)
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